terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O multifacetado funk carioca

Pesquisador afirma existência de 10 variações do gênero

Por Thayná Rodrigues*

O doutorando em Comunicação Social, Pablo Laignier, apresentou em entrevista coletiva, dia 15 de abril, um dos temas principais de sua pesquisa: o funk carioca. Ele garantiu a existência de aproximadamente 10 tipos do gênero musical e ressaltou ainda as suas variadas finalidades. Laignier trouxe à tona informações pouco conhecidas a respeito do funk e abordou assuntos polêmicos como direitos autorais, pornografia e criminalização.

O estilo musical, segundo o pesquisador, retrata a característica do momento urbano pós-moderno. A pouca elaboração das letras e o ritmo veloz traduzem a experiência cotidiana da cidade e a distração ao rebuscamento. “O funk é crônica social, em certa medida; a música mostra um pouco da desesperança”, afirmou. Para Laignier existe sim, no funk, manifestação político-social: “a política não acabou, existe uma falta de perspectiva manifestada nas letras”.

Como gênero musical, o ritmo do funk (a batida) é o que o caracteriza. Porém, de acordo com o pesquisador, existem notáveis diferenças entre um tipo e outro, principalmente no que se refere à temática. O Funk Melody, por exemplo, apresenta letras românticas e sonoridade envolvente; o Debochado destaca-se pelas batidas aceleradas e temática cômica. Já o Proibido pode ainda ser subdivido em duas categorias – o Proibidão Pornográfico e o Proibidão relacionado ao narcotráfico.

Todos os itens desta tipologia abrangem um “público-alvo” definido ou têm destino certo. Como ressaltado pelo especialista, o funk pornográfico é música para adultos, assim como existem funks infantis, com letras leves e divertidas; alguns “proibidões” têm o objetivo de enviar recados a outras comunidades e os funks “debochados” visam proporcionar diversão.

Também foi abordada a estigmatização do funk pela imprensa hegemônica, ao ser retratado principalmente nas páginas policiais. Laignier ressaltou que o funk não deve ser generalizado como veiculador de violência e de conteúdos impróprios para menores e que a relação de alguns MC’s com o crime não deve prejudicar a imagem geral do gênero. A justificativa é que se trata de um elemento artístico-social e a maioria dos autores, segregados da sociedade e à margem da indústria musical, não está envolvida com o tráfico de drogas ou com ações ilegais. Concluiu que falta ainda um amplo reconhecimento deste gênero como manifestação cultural das comunidades e como difusor de criatividade e inovação por parte de seus autores.

Publicado em LECC - UFRJ:
http://leccufrj.wordpress.com/2011/05/07/o-multifacetado-funk-carioca-pesquisador-afirma-a-existencia-de-10-variacoes-do-genero/

Na frequência das rádios comunitárias

Representante nacional da Associação Mundial das Rádios Comunitárias fala para alunos da Escola de Comunicação da UFRJ

Por Thayná Rodrigues

O pesquisador e representante nacional da AMARC Brasil, João Paulo Malerba, concedeu entrevista coletiva a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica: do curso de Comunicação Social da UFRJ. A palestra teve como destaque a Legislação Brasileira de Comunicação e o tema principal de sua pesquisa: as Rádios Comunitárias. O discurso do jornalista é, especialmente, em defesa de uma esfera comunicacional plural e democrática, tendo como referência o papel desses veículos na construção de identidades locais e no desenvolvimento da cidadania.

No início da coletiva, o pesquisador explicou detalhadamente como é constituída a Legislação Brasileira de Comunicação e ressaltou a importância da criação de uma nova lei que dê conta da demanda atual, considerando que a lei em vigor data de 1962. Uma das prováveis razões para a lentidão nas mudanças deste setor é a grande concentração de concessões nas mãos de grupos e famílias dominantes da comunicação brasileira, sobretudo de parlamentares. “Um ambiente concentrado impede a pluralidade de idéias e vozes na comunicação”, afirmou Malerba, enfatizando o discurso em prol da democracia comunicacional.

Ao realizar uma comparação com a legislação Argentina sobre o tema, o pesquisador informou o avanço daquele país neste setor: “Na Argentina, os habitantes do país foram às ruas lutar por uma Comunicação democrática. Em nosso país essa mobilização social é ausente”. O pesquisador acrescentou que no período de autorização de concessões comunicacionais na Argentina são agendadas audiências públicas para discutir o processo.

É no cenário oposto que a Radiodifusão Comunitária procura espaço no Brasil. Ao mesmo tempo em que as possibilidades técnicas, operacionais e comunicativas evoluem em alta velocidade, a esfera política e hegemônica impede a regulação das leis já conquistadas. As grandes empresas de comunicação veiculam ideias que relacionam pirataria às rádios livres e a legislação burocratiza a regulação. Já para as comunidades, estes tipos de rádio inauguram a possibilidade de serem reconhecidas, contudo a repressão faz parte do cotidiano dos que tentam a legalização.

“Os veículos comunitários buscam desempenhar um papel de articulação no mundo globalizado, negociando estímulos globais com a memória histórica local”, observou Malerba. Mais do que isso, as comunidades precisam alcançar o poder de se reconhecerem e fazerem ecoar suas vozes, suas necessidades e sua cultura.

Publicado em LECC-UFRJ:
http://leccufrj.wordpress.com/2011/06/16/na-frequencia-das-radios-comunitarias/

Pesquisador ressalta funções de projeto social na esfera comunitária

Por Thayná Rodrigues

Em entrevista coletiva, concedida a alunos de Comunicação Social da UFRJ, o pesquisador Ricardo Moraes relatou experiências na organização e participação do Projeto Social “Teatro pela Comunidade”. Trata-se de uma oficina de teatro em que os participantes são os próprios moradores. Além de compor o elenco de atores, eles também ficam responsáveis pela produção artística e pela direção dos espetáculos.

O projeto começou capacitando oficineiros e professores da comunidade para que as atividades prosseguissem em outros locais. Porém, segundo afirmou o pesquisador, a oficina de teatro tem inúmeras funções, além de levar os alunos a uma cultura participativa na arte de atuar. Um dos principais aspectos da atuação do Teatro pela Comunidade é a vertente de transformação sobre aquele grupo de pessoas. Como afirmou Moraes, “o teatro procura incidir auto-reconhecimento e a visão de uma identidade própria do grupo, tão necessários para a sua existência no âmbito social”.

Estas transformações, ressaltou, envolvem também a criação de uma consciência crítica sobre o coletivo comunitário, principalmente em relação às questões ideológicas de domínio da classe dominante sobre a classe “subalterna”. De acordo com o pesquisador, o teatro na comunidade apresenta-se, então, como uma forma de articulação entre os conflitos daquele lugar e de sua população. Por meio da representação artística, a troca mútua de informações favorece o laço comunitário e o desenvolvimento crítico dos participantes em uma esfera de “intelectual orgânico”.

“Há um direcionamento da estética de encenação inteiramente voltado para a verdadeira realidade social de uma comunidade. Essa realidade social encontra-se no aqui e agora em conjunto com os seus integrantes, ouvindo-os sempre”, ressaltou Moraes. Articulação de idéias, produções artísticas e pensamentos coletivos se fazem cada vez mais necessários em esferas sociais em que há uma polifonia de discursos e nem todos são ouvidos. Para o mestrando, há uma necessidade de opiniões diversas, visto que as políticas públicas envolvem decisões democráticas.

Publicado em LECC - UFRJ:
http://leccufrj.wordpress.com/2011/07/12/pesquisador-ressalta-principais-funcoes-do-projeto-social-na-esfera-comunitaria/

Ações Afirmativas na Mídia é tema de pesquisa

Por Thayná Rodrigues

A doutoranda em Comunicação Social, Zilda Martins, concedeu entrevista coletiva a alunos do Laboratório de Comunicação Crítica da UFRJ, na sexta-feira (13/05/2011). Ela falou sobre a dissertação “ações afirmativas e cotas na mídia: a construção de fronteiras simbólicas”. A pesquisa considerou o discurso dos jornais impressos O Globo, O Dia e Folha de São Paulo. Além da investigação empírica, Martins trabalhou conceitos teóricos de autores como Muniz Sodré, Todorov e Jodelet. O principal resultado destas análises foi a observação de como os atores sociais (jornalistas e não jornalistas) constroem o discurso das cotas, como produção e recepção de verdade.

Segundo a pesquisadora, as ações afirmativas foram motivadas pela luta do Movimento Negro, que na transição do século XX para o XXI, trouxe à tona um amplo discurso, denunciando o mito da democracia racial. O acontecimento mais marcante foi a Conferência Mundial de Combate ao Racismo, realizada pela ONU em 2001, ano em que o Brasil assumiu a existência do racismo e organizou políticas públicas a fim de combatê-lo. No ano seguinte, a Uerj Universidade do Estado do Rio de Janeiro, adotou as cotas, gerando grande repercussão.

O diferencial da pesquisa de Martins em relação a outros trabalhos de temática semelhante é que vai além do dualismo de “contra” ou “a favor” das cotas. O principal aspecto observado é a tensão que o tema promove e o discurso predominante nos veículos analisados. Segundo a jornalista, “a mídia polarizou muito mais o ‘contra’ e o ‘a favor’ do que aquilo que a cota representa”. Para a pesquisadora, existe uma enorme ausência de debate nos artigos e colunas publicados. “O que há é um discurso de verdade, com argumentos universalistas, a manutenção do racismo e a construção de relações de poder, disse.

Ao finalizar a entrevista, Martins concluiu que a postura da mídia aparece como um silêncio simbólico, traduz resistência à mudança, potencializa o discurso do “outro” e demoniza as cotas, excluindo seu caráter libertador. Para a jornalista, a mídia constrói um discurso de negação, pelo esquecimento, e mantém o estereótipo ao dizer “não” à educação por meio de um “não” à mobilidade social. “A discriminação racial é diferente de classe, embora o negro seja discriminado duplamente, porque é negro e porque é pobre. Enquanto o governo não assumir politicamente o negro, a desigualdade vai continuar a existir”, afirmou a pesquisadora.

Publicado em LECC - UFRJ:
http://leccufrj.wordpress.com/2011/05/29/o-discurso-das-acoes-afirmativas-na-midia-e-tema-de-pesquisa/

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Patriotismo em um dia sem futebol



O sentimento que dá é de angústia. No cansaço de reconhecer as histórias de espoliação que o Brasil sofreu é isso que se sente. E já aconteceu tanta coisa, em tantos tempos, épocas, que dá a impressão até de que algumas pessoas se disseram brasileiras na tentativa de explorar mais um pouquinho e sair de cena. Se fosse no período colonial diria-se que era a exploração pela metrópole, se fosse na época da "América para os Americanos" diriam que era imperialismo estadunidense. E se a política dependesse só de quem está aqui? Se os governantes (ao menos aparentemente) não estivessem interessados em corresponder às expectativas do mercado internacional de forma alguma?

O que me faz desabafar é o conhecimentode de como "o Brasil" deixou escapar por entre os dedos uma das chances que tinha de ser um pouco melhor, um pouco mais "desenvolvido" - com o perdão da usualidade da palavra e da carga capitalista que carrega. Ops! Tá bom, Brasil, não vou tomar uma parte pelo todo. Deixa eu reconstruir o período: O que me faz desabafar é o conhecimento de como alguém proporcionou ao país o escape de uma chance de melhorar.

Em 80, como sabem os que tomaram conhecimento da Ditadura Militar, o país estava em crise. E o cenário internacional (dos países centrais) era de constante aperfeiçoamento da indústria eletro-eletrônica (para não citar outros setores). Muitos países percebiam a oportunidade de desenvolvimento e no Brasil "demoraram" a perceber isso. Até mesmo alguns países que passaram por crises históricas semelhantes ficaram alertas e não deixaram fugir a oportunidade de estabelecer uma operadora "global" de comunicações (o México, por exemplo).

Esta República teve sim aquela chance. Já estava com ela nas mãos, mas jogou fora. Um governante do país (a parte referida neste todo) cortou em pedaços a Telebrás (antiga empresa brasileira de telecomunicações) e vendeu igual a cuscuz de rua. Esses pedacinhos de cuscuz deram origem a empresas privatizadas que dominaram o mercado, impondo as suas condições e herdando a tecnologia que a Telebrás já tinha alcançado. São algumas empresas de telefonia mais populares do país e ainda empresas de telefonia celular: a Vivo (de controle espanhol), a TIM (de controle italiano) e a Claro (de controle mexicano) - sim, o mesmo México que resistiu, como aqui não se fez, ao capital estrangeiro.

E nós, consumidores, ficamos felizes quando ganhamos 30 minutos de bônus destas empresas no celular, o bônus que ajuda a financiar a empresa internacional. As mesmas empresas que substituem a geração de tecnologia nacional, a pesquisa, a inovação, a geração de emprego no país... Mas nós, antes felizes e agora pobres consumidores, não devemos levar tanta culpa, né? E, se levarmos, é porque a corda arrebenta do lado mais fraco. Mas a tensão está insidindo sobre os dois lados e, quando arrebenta, ninguém segura mais nada.

Bom mesmo seria se os eleitores e os políticos que elege(re)mos dessem valor às coisas daqui. O fortalecimento do mercado nacional, das instituições do país e de tudo mais que se construa em terras brasilianas se reverte em melhorias para o próprio país! E não pense você que esta preocupação se restringe às questões políticas e econômicas. A valorização deve ser cultural, ambiental, musical. Não é só futebolística, não.


Amazônia e sustentabilidade ambiental

A Amazônia, que possui por volta de 60% de sua área total localizada em território brasileiro, é a maior riqueza natural do país. Fonte de pesquisas ecológicas e hábitat de grupos nativos é, além disso, fonte de renda da exploração insustentável. No entanto, esta atividade descontínua e inconseqüente deve ter seus dias contados.

Estudos das conseqüências causadas pelo desmatamento desenfreado da floresta Amazônica no Brasil mostram que os efeitos não atingem somente regiões próximas às áreas desmatadas, chega a atingir estados do Sudeste e Centro-Oeste. Entre este efeitos está a diminuição do índice pluviométrico, que afeta negativamente a agroindústria e a geração de energia elétrica no país e pode inclusive gerar danos ao ciclo hidrológico da Argentina.

Uma medida considerável para evitar a ocorrência dos efeitos citados seria a completa proibição do desmatamento da Amazônia até que fossem permitidas áreas para exploração sustentável. O Governo Federal, com a garantia de que os proprietários de terra teriam acesso a lotes de área correspondentes aos a eles pertencentes, deveria implantar o desmatamento sustentável. Desta forma, não haveria resistência à ação: com a garantia de que não haveria prejuízo comercial.
Medidas fundamentadas deveriam ser tomadas com o trabalho do Governo Federal junto à Secretaria do Meio Ambiente dos Estados, promovendo palestras e atividades informativas de como os proprietários e trabalhadores praticariam a sustentabilidade de forma efetiva.
Com a noção dos riscos causados devido ao desmatamento irresponsável da floresta os proprietários de terra teriam motivação para evita-lo, com a consciência dos efeitos diretos e indiretos. Saber usar os recursos do planeta garante a continuidade de atividades no presente e para as futuras gerações.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Agricultor/ Réplicas

Como já disseste, o empenho em fazer florescer sorrisos é algo recorrente a ti. E, sem saber, não cuida apenas disto. É como o agricultor, que não zela somente pela terra, mas está atento aos detalhes à sua volta, para que tudo frutifique. Cultiva em mim os bons sentimentos, lavra a terra e rega a plantação. Não deixa que nenhuma praga se aproxime, e protege de forma natural.


* * *


Mas, se me chamas de raio de sol, a ti, que és agricultor, tenho de proporcionar sempre tempo bom. Na tentativa de retribuir ao que traz pra mim. Devo continuar sorrindo, iluminando os caminhos do agricultor, incidindo sobre retratos, poemas e papéis de carta, pensamentos, sonos e lugares. Fecha o olho, de manhã ou de noite estarei ali. E não queiras ser o horizonte; em ti só quero nascer. Morrer é desfalecer; um raio de sol não desfalece. Morrer é perder as forças; não quero perdê-las, vislumbro estar sempre viva a te contemplar. Mas, sim, a cada dia, por toda a eternidade.



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Texto dedicado àquele que carrega no nome a função que em mim exerce
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domingo, 8 de agosto de 2010

A joalheira

Tinham ouvido falar de uma mulher que sabia o segredo dos namorados, maridos e amantes. Sabia como agradar as companheiras dos rapazes e era comumente procurada nas datas comemorativas comerciais. Dia dos Namorados e aniversários de relacionamento. Era a vendedora de jóias. Tinha oura e prata, diamante e cristal, acessórios e adornos em jóias dos mais variados tipos, para qualquer gosto feminino.
Um marido indicado por outro homem foi à vendedora mandar fazer duas jóias: uma para a amante, outra para a esposa. Suas encomendas foram atendidas e, antes disso, aperfeiçoadas com os conselhos da joalheira com a intenção defendida de futuro agrado às presenteadas.
O sucesso entre os apaixonados e os dos mantenedores de funções afetivas se difundia. E a vendedora expandia a sua lista de clientes. Cada mimo, cada oferta banhada a ouro ou prata tinha sua peculiaridade. Mas não tinha, por parte dela, a intenção do agrado ao comprador e à ofertada. A vendedora de jóias identificava as presentadas por seus adornos. Sabiam quem eram as amantes, as esposas recatadas, as recém-casadas, as namoradinhas, por cada bracelete extravagante, colar de pérolas, pulseira de continhas ou brincos singelos.
A detetive Rubi tinha uma clientela fiel. Usualmente era contactada por mulheres as quais procuravam saber quem seus amores presenteavam. Elas, malvadas, procuravam manter-se presenteadas, de acordo com seus gostos, pouco importava a concorrência afetiva. Não importava.

domingo, 4 de julho de 2010

Memória de amor


Por que atribuíram ao coração o sentimento de amar? Por que não ao cérebro, que fica fazendo a gente pensar toda hora naquela pessoa? Por que não aos órgãos do sentido, que têm por sentido no amor enfatizar a saudade do nosso bem? Nariz para sentir o perfume, boca para provar do beijo, pele para sentir o calor, olhos para admirar, ouvido para escutar a voz, e as juras e declarações. E mais uma vez está o cérebro envolvido nisso tudo. Em vez de o casal trocar presentes românticos com corações nos cartões, deveriam trocar figurinhas de jogo da memória. Para dizer que certo alguém é difícil de esquecer.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Luto?

Quantos de vocês sabem o significado da palavra luto? Quantos já sentiram pela morte de alguem? Sinto-me realmente indignada pela banalização da palavra "luto" que vem acontecendo. Parece-me um desrespeito ao sentimento de quem realmente passa por uma situação de perda. Não quero ser moralista, nem parecer implicar com tudo. Não trato da banalização de outros sentimentos (embora a banalização do amor também me incomode bastante), trato deste que envolve a dor, que envolve o pesar em uma situação peculiar.

A partir do momento que diz-se estar de luto, pelo que aprendi com a minha avó, está-se em situação de respeito ou está-se realmente sofrendo pelo que acontecera. A partir do momento que seus atos são contraditórios suas palavras ditas ou escritas de nada valem. Vovó dizia que não podíamos aumentar o rádio tempo decorrido da morte de alguém, especialmente de algum vizinho, pois era desrespeito à quem sofria. Entretanto falo de mais do que desrespeito, quando se admite para si este sentimento e ele é negado, a contradição está em você, não diz respeito ao que as pessoas à sua volta pretendem manter; não está relacionada a uma suposta consideração que deve haver.

Especificando ainda mais, é difícil não citar a superexposição que as pessoas fazem de si nas redes socias. Entenda-se superexposição não só por fotos, comentários e pensamentos declarados, mas por exagero e incoerência nas demonstrações. O "luto" também está presente aí, e foi daí que surgiu minha vontade de escrever sobre isso. Parece até que é palavra da moda, é usada a torto e a direito. É tudo tão exacerbado que falta pouco escreverem "Lutoow! ;P".

Não estou dizendo que quem perde alguém deve chorar para sempre, usar roupas pretas todo dia, nem nada nesse sentido. Aí vai de cada um. Muitos não fazem questão de dizer e às vezes até escondem o sentimento de angústia. Mas o exagero é prejudicial, parece que as coisas são ditas/declaradas de qualquer jeito; e o que se sente realmente, tanto faz? O pesar que estava erroneamente subentendido, tanto faz? Para outros não simplesmente tanto faz. Tem gente que realmente sente, e está sendo igualado a quem só declara.



quinta-feira, 10 de junho de 2010

À espera


Ela chamou atenção com seu sorriso reluzente. Em uma conversa tímida com o rapaz, sorria repetidas vezes, parecendo não ter muitos motivos para mostrar-se contente. Seus dentes eram claros e, apesar do riso fácil, era tímida. Não pude perceber como era a expressão facial do rapaz naquele instante; o muito que se notou foi que carregava uma bagagem na mão direita e tinha um "corte de cabelo das Forças Armadas". Estavam os dois na turba. E na minha mania de prestar atenção aos outros, os notei. Esperavam que a multidão andasse para que também o fizessem. Conversavam sobre coisas sem profundidade. Findou o assunto e o mesmo aconteceu com o riso da moça. A multidão andou, e o riso reluzente diminuia como a luz de um farol que se distancia para longe. Ela olhava para o chão, para os calcanhares de seus antecessores; e ele olhava para o mar, que trazia a barca onde iriam à bordo. Ela deixou a mão direita livre, para que a esquerda dele a encontrasse... Elas se esbarraram, mas ele desviou o trajeto natural da sua forjando um comichão na própria barriga. Ela insistiu em deixar sua mão livre, e seu sorriso relampejou, tentando reacender-se ao fitar os olhos dele. Ele dirigiu a ela o seu olhar, sorriu, entretanto sua mão não correspondeu à sua expressão facial, procurou outros desvios, talvez a bolsa que carregava, talvez a barba serrada. Na multidão abriram-se espaços, e ele decidou por um caminho para o qual ela não estava direcionada a ir. Ele tendeu à direita, ela pensava na esquerda. Ela abriu mão de seu pensamento e foi atrás do rapaz, ao seu lado. E sua mão direita continuava à espera. Seguiram o mesmo caminho, lado a lado. Ela com seu sorriso reticente e ele reticente por si só.
Fotografia: Yuri Reis

quinta-feira, 27 de maio de 2010

De lua


Eu queria falar de coisa bonita. De planta, de flor, de céu. De coisa que a gente está acostumado a ver e a não perceber. De lua, de mar, daquele pedaço de mar encostado na areia. De lua, aquela que eu sempre procuro acima de mim. Mesmo embaçada clareia. Meu pai diz que ela vive correndo atrás da gente quando a gente viaja. Quando eu era pequena realmente acreditava. Hoje não, porque agora eu “analiso” antes de acreditar de qualquer jeito. Mas “perco tempo” imaginando a lua correndo atrás da gente, acima do carro, lá no alto do céu. Atrás dos morros, em paralelo aos fios dos postes, ao lado dela como corrimão. Atrás das casas, das altas e das baixas. Tenho o hábito de procurá-la. Procura-la lá. No céu. Não gosto de procurar nada, talvez goste de procurar a lua por já saber onde ela está. E a cada dia está diferente: clarinha num domingo após o meio dia, encarando de longe o sol; amarela em noite azul-marinho, intensa, formando o mais acentuado contraste das cores; sorrindo crescente em noite clara; redonda e baixa em noite com nuvens...Ela está sempre lá. Mesmo nova. Quando não está, está só se escondendo. Está só, se escondendo.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Consulta

"A coisa melhó qui tem pra tê é plano de saúde. A pessoa vai lá quando tá duenti (e até quando num tá), vai naquela sala (é consultório que chama), e no lugar onde a gente ispera tem um monte de revista de gente famosa pra vê. Quando a genti entra, o médico pergunta o seu nome, pede pra você abrir a boca e coloca um palitinho láa dentro. Mas ele logo tira, ele qué vê não sei o quê lá dentro. Ele pergunta o que você tá sentindo, depois até ouve seu coração; diz que se a pessoa tá apaixonada o coração bate mais rápido (...) Depois pedi pra você dizer uns números... Na vez que eu fui o dotô pidiu pra eu falar trintetreis. Deve ser porque é a idade de Cristo né? Falar nisso eu quiria está sempre novinha assim, quiria tê continuado com trintetreis... Ah, meus trintetreis! Num era nem mocinha, nem senhora. Tava com tudo em cima e toda prosa! Já cunhecia as coisar boar da vida, já tinha as crianças, mas era tudo piquinininho. Faziam o que a gente mandava. Num tinha esse negoço de independência, não! Que hoje tem, e vai um monte de gente falar disso na televisão. Criança era criança e pronto. Mas de quê que eu tava falando mesmo hein? Ah, dos doutore! É. Coisa boa mesmo, menina! Plano de saúde é bom, bom... Eles te tratam como pessoa. Não é qui nem essir lugare que a gente vai, não. Nessir lugare o dotô nem olha pra sua cara e já sabe o qui você tem! Consulta... É, acho que qualqué dia desses vô marcá uma pra mim. Porque a gente não tem plano de saúde né? Vô tê qui pagá! Purisso é que eu falo: coisa boa mermo é ter plano de saúde..."

quinta-feira, 6 de maio de 2010

De um observatório distante

Há uma semana ela dizia que eram feitos um para o outro. Eram fotografias, declarações, plágios musicais, coisas de amor. Passaram dias e as coisas foram desaparecendo. As gaivotas tomaram rumos além do horizonte. Talvez ele estivesse ocupado com esquadros e plantas. Talvez ela estivesse pré-ocupada com burocracias e papéis. Com papéis de xerox, com coeficientes de rendimento, com coisas que não dissessem respeito ao mundo dos dois. E parece que o mundo dos dois agora era separado. A retrospectiva do tempo que passaram juntos agora faz parte de um passado aproveitado e com pouca relevância presente; momentos que trouxeram alegrias, concretas e abstratas, e agora trazem lembranças agradáveis e angustiantes de ter acabado. Momentos que, para recordar, trouxeram fotos. Mas agora, no cotidiano da lembrança não trazem mais fatos.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Chocolate




Nosso amor é chocolate
Conserva seu paladar a cada degustação
Tem seu toque especial
A gente sustenta a matéria prima
O mais simples que houver, o cacau.

Chocolate meio amargo,
Minha preferência individual
Gosto diferenciado
A menor adição de doce,
Não me faz enjoar nadinha.

E dá mais vontade,
Assim como os seus beijos
E me remete ao chocolate branco
Uma provinha já é o bastante
Para saber que minha metade
Está a mim de fronte.

Chocolate com avelã,
Um ingrediente a mais,
Semelhante à quando você me surpreende,
(Não me preocupo com rimas pobres)
Não sabe o quanto me satisfaz.

Mas eu também te quero bem
E também lhe tenho amor
Que o nosso gosto nunca destempere
Que minha boca tenha sempre seu sabor.

Thayná Rodrigues

sexta-feira, 9 de abril de 2010

"É a chuva chovendo, é a lama, é a lama ..." *



As águas de março chegaram atrasadas. Muitos queriam que viessem em 1° de abril para acreditar que fosse mentira. Mas vieram nos últimos dias atrasar o cotidiano, o trabalho, calendários escolares, o trânsito. Trouxeram dor e perdas. Mais de 100 mortos no estado. Mais de 200 desaparecidos. Mais de 100, mais de 1000, mais de 1 milhão de corações apertados. São Paulo era a terra da garoa, virou terra das enchentes e dividiu com o rio a perífrase atual.


Muitos se referiam a Niterói, São Gonçalo e adjacências como municípios do 'outro lado da poça' mas, com o perdão do trocadilho, serão agora municípios de dentro da poça. Copacabana era a Princesinha do Mar, agora é a Princesinha do Mar em Revolta, e por aí vai. Fomos todos nós os prejudicados: fluminenses, gonçalenses, estudantes, trabalhadores, atletas, moradores do estado do Rio de Janeiro. E agora, pelas notícias, moradores do estado da Bahia, moradores do estado de São Paulo. Parentes, amigos, conhecidos e desconhecidos dos que sofreram de alguma forma com essas enchentes.


Vamos ajudar da maneira que podemos, divulgando locais para doações, doando. E doe, principalmente, solidariedade.


"São as águas de março fechando o verão, e as promessas de vida..." *


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Locais para doação - RJ, Niterói e São Gonçalo:


SÃO GONÇALO - Secretaria de Desenvolvimento Social, na Rua Uricina Vargas 36, Alcântara, em frente ao 7º BPM

NITERÓI - Clube Canto do Rio, Rua Visconde de Rio Branco, n° 701


RJ - Quadra da Mangueira Rua Visconde de Niterói 1.072


Centro de Referência Especializado da Assistência Social Maria Lina Rua São Salvador 56, Laranjeiras


Centro de Referência Especializado da Assistência Social Arlindo Rodrigues Rua Desembargador Isidro 48, na Tijuca


* "Águas de março" - Tom Jobim

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Chuvinha vinha


Vinha lá fora a chuvinha
Chuva vinha, chuvinha vinha.
Chuva tão grande, molhando pequenos
Água corrente, molhando o terreno.

Chuva pequena, não é serena, não é sereno,
Mais que orvalho, menos que granizo
Chuva incessante que traz dor
que supera a dor de siso.]

Chuvinha vinha, gigante vem
Tragédia urbana, natureza insana
Caos de natureza inumana.

Ninguém tem culpa
Mas se vinga a natureza
Isso é castigo pro bicho homem.

Já que diz a minha avó que isso é coisa de quem não reza.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Aprendizado e brincadeira


A primeira postagem é sobre os ricos 'recortes' de imagens que podem ser feitos em momentos correspondentemente tão preciosos.

Esta fotografia, registrada em Paquetá, uma fase de aprendizado e brincadeira. Duas coisas às quais me sujeito neste blog.

Ainda aprendendo, conhecendo as ferramentas, esta postagem inicial é bem pouco do que vem.