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domingo, 4 de julho de 2010

Memória de amor


Por que atribuíram ao coração o sentimento de amar? Por que não ao cérebro, que fica fazendo a gente pensar toda hora naquela pessoa? Por que não aos órgãos do sentido, que têm por sentido no amor enfatizar a saudade do nosso bem? Nariz para sentir o perfume, boca para provar do beijo, pele para sentir o calor, olhos para admirar, ouvido para escutar a voz, e as juras e declarações. E mais uma vez está o cérebro envolvido nisso tudo. Em vez de o casal trocar presentes românticos com corações nos cartões, deveriam trocar figurinhas de jogo da memória. Para dizer que certo alguém é difícil de esquecer.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

De um observatório distante

Há uma semana ela dizia que eram feitos um para o outro. Eram fotografias, declarações, plágios musicais, coisas de amor. Passaram dias e as coisas foram desaparecendo. As gaivotas tomaram rumos além do horizonte. Talvez ele estivesse ocupado com esquadros e plantas. Talvez ela estivesse pré-ocupada com burocracias e papéis. Com papéis de xerox, com coeficientes de rendimento, com coisas que não dissessem respeito ao mundo dos dois. E parece que o mundo dos dois agora era separado. A retrospectiva do tempo que passaram juntos agora faz parte de um passado aproveitado e com pouca relevância presente; momentos que trouxeram alegrias, concretas e abstratas, e agora trazem lembranças agradáveis e angustiantes de ter acabado. Momentos que, para recordar, trouxeram fotos. Mas agora, no cotidiano da lembrança não trazem mais fatos.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Chocolate




Nosso amor é chocolate
Conserva seu paladar a cada degustação
Tem seu toque especial
A gente sustenta a matéria prima
O mais simples que houver, o cacau.

Chocolate meio amargo,
Minha preferência individual
Gosto diferenciado
A menor adição de doce,
Não me faz enjoar nadinha.

E dá mais vontade,
Assim como os seus beijos
E me remete ao chocolate branco
Uma provinha já é o bastante
Para saber que minha metade
Está a mim de fronte.

Chocolate com avelã,
Um ingrediente a mais,
Semelhante à quando você me surpreende,
(Não me preocupo com rimas pobres)
Não sabe o quanto me satisfaz.

Mas eu também te quero bem
E também lhe tenho amor
Que o nosso gosto nunca destempere
Que minha boca tenha sempre seu sabor.

Thayná Rodrigues